Desde muito nova ligada à modalidade, onde começou no GD Chaves, é em França que continua a perseguir o seu sonho, de jogar ao mais alto nível. Para Daniela Ferreira, o andebol é a sua paixão e o desporto a sua vida, pois além de jogar, a transmontana de 24 anos treina os mais novos e trabalha ainda com crianças em associações desportivas.

A Voz de Chaves: Como correu a época para o teu clube?
Daniela Ferreira: A época este ano correu bem, apenas três derrotas na primeira fase e nenhuma derrota nos ‘play off’s’. Fomos campeãs da ‘Pré Nacional’, que é a divisão que dá acesso ao Nacional 3. Conseguimos ainda chegar aos oitavos de final da Taça da França (nível regional) e no passado fim-de-semana conquistamos a Taça da Liga.

Individualmente, como correu a temporada?
Foi uma das melhores temporadas que fiz… começo a habituar-me ao estilo de andebol francês e os meus treinadores tiveram confiança em mim. Foram raras as vezes que não joguei os 60 minutos. Trabalhei muito para conseguir um lugar no sete inicial e não conto abandonar assim tão facilmente. É preciso não esquecer que sou uma transmontana e eles sabem isso [risos].

Qual a sensação de chegar ao fim e festejar estes êxitos?
Não há palavras para descrever, é preciso sentir. Foram muitas horas de treino, muito suor e sofrimento e alegrias. No início da época foi complicado, com as lesões de muitas das atletas, incluindo eu, mas mesmo assim não baixámos os braços e continuámos a trabalhar para concretizar os objetivos definidos ao inicio da época que era o campeonato e tentar ganhar uma das taças. Estes êxitos são uma motivação para a próxima época onde o objetivo mais uma vez vai ser a subida de divisão, agora para a Nacional 2.

“Tenho a sorte de poder ver os melhores do mundo a jogarem ao vivo, e tento fazer como eles”

Como tem corrido a aventura no andebol fora do país?
É uma experiência muito boa, não só como jogadora mas também como adepta do andebol. O nível do andebol francês é um dos melhores do mundo, com três equipas francesas masculinas no pódio da Europa. Posso dizer que tenho a sorte de poder ver os melhores do mundo a jogarem ao vivo, e tento fazer como eles, observo e aplico mesmo se às vezes não é tão fácil como parece.

Tem sido fácil esta nova etapa? Como foi a adaptação?
A adaptação não foi fácil. Mudei de clube, país, língua e deixei a minha família em Portugal, mas o andebol ajudou-me muito nesta fase da minha vida. Tive a sorte de calhar num clube acolhedor, receberam-me com todo o carinho. Já faz quase cinco anos que jogo pelo US Ivry e sinto-me em casa. Sou uma das jogadoras mais ‘antigas’ da equipa.

Como é o nível da modalidade, quer seniores quer na formação?
Penso que os franceses não sabem a sorte que têm… Quando és jovem podes fazer aquilo que eles chamam ‘sport-études’, ou seja, de manhã vais à escola e à tarde aos treinos. Existem também os ‘pôles’ onde os jovens jogadores treinam intensamente e são seguidos por profissionais do andebol e normalmente todos os jogadores que passam por lá são regularmente chamados às seleções. É assim que eles formam os jogadores aqui e era isso que precisávamos em Portugal. Quanto ao nível sénior, existem vários níveis: 2 profissionais (D1, D2), nacional 1, nacional 2 e nacional 3 (nível 1 é o mais forte) e depois existem mais umas sete divisões abaixo (nível regional e departamental), ou seja, mesmo que não saibas jogar muito bem existe sempre uma divisão onde podes praticar a competição e acho isso fantástico.

“O meu objetivo sempre foi jogar ao mais alto nível”

É um prazer poderes jogar andebol e competir?
Desde que comecei a praticar a modalidade em Chaves senti que nunca mais podia abandonar. Nunca esteve nos meus planos abandonar o andebol mesmo depois de todas as mudanças na minha vida. Antes pelo contrário, foi uma prioridade…

É importante para ti, continuares a praticar a modalidade?
Sem dúvida alguma. O andebol ajudou-me muito sobretudo depois da morte do meu pai em 2011. No campo todos podemos falar uma língua diferente, mas o andebol não muda. Foi graças a esta modalidade que eu pude avançar na vida, cada vez que entrava em campo esquecia tudo o resto.

Qual o teu objetivo na carreira, sonhos e ambições?
O meu objetivo sempre foi jogar ao mais alto nível. Quando aqui cheguei não conhecia nada e inscrevi-me no primeiro clube que encontrei. O nível não era mau, mas eu sabia que podia encontrar melhor. Mais tarde fiz alguns treinos em outros clubes de nível nacional 1 e 2 mas ficavam muito longe de minha casa, o nível de exigência era outro e como também tenho um trabalho não podia conciliar tudo. A esse nível ou era o trabalho ou o andebol. O US Ivry prometeu-me um trabalho e praticar o que eu mais gosto. O meu objetivo é ajudar o clube a subir ao mais alto nível. Há quatro anos atrás estávamos na regional e hoje contamos com a subida ao nível nacional.

“Voltava a Portugal pela minha família mas pela qualidade de vida prefiro viver em França”

Como vê a tua família e pessoas próximas estes êxitos?
Eles sabem o que o andebol conta para mim e sempre me apoiaram. Claro que ficam contentes mas infelizmente eles estão longe demais para que possamos festejar juntos.

Tens vindo à tua terra, Chaves?
Não tanto como gostaria. Normalmente vou duas vezes por ano para visitar a família. O trabalho e mesmo o andebol não me permitem viajar tanto quanto eu gostava.

É objetivo voltar a Portugal?
Boa pergunta. Vivo numa cidade de 11 milhões de habitantes, Paris, a cidade ‘luz’ como eles dizem. Voltava a Portugal pela minha família mas pela qualidade de vida prefiro viver em França.

Diogo Caldas

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