Técnicos e colaboradores dos seis municípios do Alto Tâmega receberam ação de formação que pretende combater a iliteracia financeira na região.

Este é um projeto-piloto que está a ser promovido na região norte do país e que, numa primeira fase, teve como objetivo dotar os profissionais das câmaras municipais de diversos conhecimentos financeiros para que, posteriormente, essa informação possa ser difundida pelos habitantes do Alto Tâmega. A adoção de comportamentos financeiros adequados e seguros por parte da população é o objetivo final desta iniciativa.
“Nos seis municípios, as respetivas câmaras indicaram vários formandos para receberem esta ação, dada por técnicos vindos de Lisboa, ao longo de três dias. Os formandos receberam um conjunto de valências (…) para que depois possam ser eles os principais motores e também formadores”, tanto dos jovens como dos mais idosos na região, explicou Fernando Freire de Sousa, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Norte (CCDR-N) no encerramento da ação de formação, que decorreu na quinta-feira passada, dia 12, na Biblioteca Municipal de Chaves.
A ação resultou da parceria entre a CCDR-N, o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, que integra o Banco de Portugal, a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), e a Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega (CIMAT), no âmbito do Plano Nacional de Formação Financeira “Todos Contam”.
“Este é um trabalho extremamente importante porque é de natureza cívica, útil a todos, transversal e sem custos”, realçou o presidente da CCDR-N, fazendo um “balanço positivo” da atividade.
Trata-se da segunda iniciativa do género, sendo que a primeira decorreu na Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, no ano passado.
“Há muita informação útil que nos foi passada e que agora podemos transmitir aos nossos conterrâneos”, nomeadamente no que diz respeito aos contratos “de empréstimos, do sistema bancário e dos seguros. A partir deste momento iremos também nós tentar transmitir essa informação aos nossos munícipes de forma mais simples”, referiu o vice-presidente da Câmara de Boticas, Guilherme Pires, um dos participantes na ação.
“Esta formação chama-nos também a atenção para deficiências que a maior parte da comunidade tem, pois muitos fazem contratos de seguros, por exemplo, mas depois desconhecem os seus direitos e deveres”, acrescentou.
Segundo o vice-presidente da CIMAT, e presidente da Câmara de Chaves, Nuno Vaz, esta iniciativa vem ao encontro de um dos objetivos principais da comunidade intermunicipal que é a capacitação dos habitantes do Alto Tâmega.
“Nós precisamos de mais conhecimento, mais capacidade de preparação para os novos desafios e nesta lógica entendemos que esta ação se integra e está alinhada com aquilo que nós defendemos como sendo estratégico para o futuro. Esta é, por isso, mais uma ferramenta para que todos nós, enquanto comunidade do Alto Tâmega, possamos estar melhor preparados para saber responder a propostas que nem sempre correspondem da melhor forma às nossas necessidades”, afirmou o responsável.
O Plano Nacional de Formação Financeira está no terreno desde 2011 e “ao longo destes anos foram desenvolvidas diversas iniciativas junto de vários públicos-alvo”.
“Temos um referencial de formação financeira para as escolas, desde o pré-escolar até à entrada na universidade, temos formação certificada de professores, temos materiais que estamos a desenvolver, que são os conhecidos cadernos de formação financeira, e temos o plano ‘Todos Contam’, destacou Maria Igreja, representante da CMVM.
Para além da parceria com o Ministério da Educação, o projeto conta ainda com o apoio do Ministério da Economia. Neste contexto, também os gestores de micro, pequenas e médias empresas receberam formação na área financeira, assim como associações sociais.
A sessão de encerramento da formação financeira em Chaves contou ainda com a presença da presidente da Comissão de Coordenação do Plano e representante do Banco de Portugal, Lúcia Leitão, e do representante da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, Rui Fidalgo.

Cátia Portela

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