A ação “Prevenir Já” levou para o terreno várias equipas operacionais com o objetivo de informar e sensibilizar os flavienses para a necessidade da limpeza dos terrenos e evitar as coimas.

Durante cinco dias úteis, de 1 a 7 deste mês, vários elementos da Guarda Nacional Republicana (GNR), do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), da Polícia de Segurança Pública, da Associação Florestal e Ambiental do Concelho de Chaves, das corporações dos bombeiros locais e dos Gabinetes de Proteção Civil e Técnico Florestal do município percorreram as 39 freguesias do concelho para esclarecer os proprietários sobre a obrigatoriedade de limpar os terrenos junto a casas, povoações e estradas. O objetivo é garantir que situações em incêndios como as de 2017 não se voltem a repetir.

A ação “Prevenir Já” é coordenada pela GNR e faz parte da operação “Floresta Protegida 2018”. A iniciativa foi apresentada na quinta-feira, dia 1, na Câmara de Chaves, e contou, no exterior do edifício, com uma ação de demonstração dos diferentes meios disponibilizados pelas equipas operacionais envolvidas no processo. Já no salão nobre foram destacados os principais objetivos desta ação.

O comandante do Destacamento Territorial de Chaves da GNR, Bruno Antunes, lembrou que o sucesso desta operação depende da envolvência de todos e “só todos juntos conseguimos fazer mais e melhor”.
“Os desafios que nós temos no âmbito da floresta são vários e diversificados e exigem uma intervenção assertiva da nossa parte, sendo por isso importante que todos nos sintamos evolvidos e que todos nós façamos parte da solução”, sublinhou o responsável.

Numa primeira fase, as ações de limpeza das florestas e matas devem ser realizadas pelos proprietários até 15 de março. A GNR e as restantes equipas de intervenção andarão também no terreno para “identificar o território que carece de intervenção” e alertar e explicar às pessoas como têm de “proceder à gestão do combustível”. O comandante da GNR de Chaves disse que a informação divulgada tem sido tanta que as pessoas têm tido alguma dificuldade em assimilá-la.

Depois da data limite dada pelo Governo, quem não tiver limpo as áreas envolventes às habitações, povoações e estradas fica sujeito a processos de contraordenação, com coimas que variam entre os 280 e os 120 mil euros.
Na cerimónia, Eduardo Carvalho do ICNF afirmou, e à semelhança do que aconteceu nos outros concelhos da zona do Alto Tâmega, estar bastante otimista na receção da operação por parte da população flaviense.

As pessoas, constatou o responsável, começam a perceber que “se não for assim vamos ter os mesmos problemas que em 2017. Esta mudança legislativa obrigou também a um despertar das mentes que pareciam estar ligeiramente adormecidas para uma lei que já existia desde 2006”.

Por sua vez, o presidente da Câmara de Chaves, Nuno Vaz, disse aos jornalistas que a solução para acabar com os incêndios passa pelo planeamento e ordenamento florestal, mas que isso levaria vários anos a ser concretizado, e que neste momento o importante era agir.

O dirigente admite que as medidas impostas pelo Governo são benéficas mas que “têm objetivos inalcançáveis”, com um prazo de execução tão curto.
“Até dia 15 de março será impossível concretizar por parte dos proprietários todas as ações de limpeza porque a área abrangida por estas medidas tem muitos milhares de hectares e será quase impossível alcançar esse objetivo”, sublinhou o autarca.

Caso os proprietários não cumpram com a sua obrigação, cabe às autarquias realizarem a limpeza dos terrenos, uma responsabilidade, que na opinião de Nuno Vaz, deveria ser partilhada com a administração central, tanto a nível de meios no terreno, como a nível financeiro.

Apesar das dificuldades enumeradas pelo dirigente, a realização da limpeza dos terrenos está a decorrer dentro da normalidade, com “grande predisposição por parte dos proprietários” para cumprir a lei.

Cátia Portela

 

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