Espiritualidade

Sáb,9 Mar 2013


Muito antes de Freud, o austríaco Joseph Breuer (Viena, 1842—1925) foi um fisiologista que tinha imensa tendência para as pesquisas a tal ponto que foi ele quem criou os métodos iniciais da psicanálise e passou os resultados das suas pesquisas ao principiante Freud. O seu mais famoso caso de pesquisa do inconsciente foi sem dúvida o de “Anna O.”, pseudónimo de Bertha Pappenheim, rapariga com 21 anos, que tinha os mais variados sintomas de histeria, depressão e hipocondria, tanto a nível físico (paralisia de membros inferiores, distúrbios visuais, paralisia das extremidades e contracções musculares e as famosas dormências nas mãos com perda da sensibilidade, etc.) como intelectual (esquecia o alemão, o seu idioma, e falava inglês, francês, etc.). A sua terapia era trazer os traumas passados do subconsciente para o consciente e daí tratá-los com a conversa através do que ele próprio chamou de Catarse.

Era um tempo proibido de falar em sexualidade, ele defrontou-se com dramas psicológicos que eram constrangedores mesmo para um médico. Épocas de profundas castrações dos sentimentos naturais ao ser humano, como a sexualidade para homens e pior ainda para mulheres. E o puritanismo desencorajava qualquer um de falar sobre o tema tabu.

O Dr. Breuer sabia como médico, que era impossível a existência de tais transformações no carácter e no físico de uma pessoa como de “Anna O.”, o que o levou ao aprofundamento das pesquisas em áreas puramente subjectivas como a mente humana e o subconsciente. Analisando a sua paciente, descobriu que esta trazia arquivos de memória além, ou abaixo do consciente como auto-acusação por ter “prevaricado em pecados” sexuais solitários. E assim, na ausência do entendimento do apelo da natureza humana (desejos) e reprimidos sob o peso do “ato pecaminoso”, o consciente interferia no físico, transferindo as suas dores através da descontrolada força mental, criando os estados histéricos. Com algumas sessões de terapia do diálogo e orientação, conseguia os resultados das alterações superficiais…

Assim, quando encontramos pessoas a transitar sob o peso do fardo das atrofias congénitas ou de nascença, podemos tirar ilações lógicas aprofundando as nossas sondas em busca de uma verdade visível, que estas pessoas também trazem traumas de consciência a interferirem nos seus corpos, somatizando os seus dramas de consciência através do tempo. Só que aqui, diferentemente do caso exposto acima, há uma transferência do campo consciencial para a constituição somática. Porque se não foi aqui e agora que se dera início ao processo de fixação mental do erro (vemos as crianças), onde foi? Se já nasceram assim e a hereditariedade não explica e não justifica e tão pouco a religião compreende?

Descendo a sonda de nossa curiosidade inteligente embaçada na lógica, chegaremos aos porões para além do cérebro e do binómio consciente/inconsciente, nas profundezas do espírito eterno, onde segundo afirmações do próprio Jesus Cristo, é “cada um segundo as suas obras” e a Espiritualidade através da reencarnação aparece aí como plausível origem e porta ao restabelecimento destas consciências torturadas pelo remorso, em busca da harmonia interior. Não com algumas sessões de terapias no conforto de um consultório de análise, mas nas possibilidades que cada qual tem de rectificar seus caminhos e também não apenas de erros, como no caso de “Anna O.”, mas da infinita variedade dos equívocos que cometemos em nossas vidas, agora ou no passado. E nesta vida infinita, é como disse Allan Kardec: “nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a Lei”. É a via fundamental na razão, para esquecer os medos de um céu inatingível e um inferno ameaçador, substituindo pela certeza da evolução rumo à eternidade de luz.

Luciano Diniz

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