Marechal Costa Gomes e Júlio Montalvão Machado homenageados nas novas vias da cidade
Duas figuras emblemáticas flavienses, ambas em memória, fazem agora parte da toponímia de Chaves. Uma “justa homenagem” nas palavras do autarca João Batista.
Depois de várias cidades portuguesas em que o Marechal Costa Gomes constava da lista da toponímia, como Porto, Lisboa, Oeiras, Amadora, Loures, Cascais, entre muitas outras, foi a vez da homenagem se fazer na sua terra natal.
Desde a passada sexta-feira, dia 27 de Julho, existe em Chaves a Avenida Marechal Costa Gomes. Na presença de vários familiares e amigos do homenageado, o Presidente da autarquia flaviense, João Batista referiu que “esta obra, desejada desde 2006, vem colmatar a necessidade de dotar com dignidade a entrada e saída da cidade de Chaves, estando finalizadas 2 das 4 fases do projeto, que ficará concluído com o acesso ao Hospital de Chaves.”
No dia da abertura ao público do nó de acesso à A24, com a inauguração das Avenidas Marechal Costa Gomes e Dr. Júlio Montalvão Machado, entre a rotunda do Casino e o Centro de Saúde nº 2 de Chaves, Teles Grilo, sobrinho do Marechal Costa Gomes, defendeu que “tinha sido reparada uma tremenda injustiça ao Marechal Costa Gomes, antigo Presidente da República, Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Portuguesas e Mensageiro da Paz, que as Nações Unidas distinguiram continuamente”. O familiar do ilustre flaviense concluiu a sua intervenção, dizendo que “a família reconhece quem soube honrar o valor, a dignidade e o Mérito de um flaviense prestigiado, também cidadão do mundo.”
De salientar que Francisco da Costa Gomes nasceu em Chaves em 1914, tendo falecido em 2001. Fica para a história como o flaviense que exerceu altos cargos nos regimes de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano, o militar preferido nas estruturas da NATO, aquele que Marcelo Caetano escolheu para chefiar as Forças Armadas e que os capitães de Abril escolheram para líder do novo regime, como o general que maior número de tropas comandou em Moçambique e Angola. O homem que substituiu António de Spínola na cadeira da presidência e que nos meses seguintes serviu como verdadeiro centro de moderação e de mediação entre as diversas forças que disputaram o controlo político e militar do país, entre muitos acontecimentos que marcaram a sua brilhante carreira.
Avenida evoca Dr. Júlio Montalvão Machado
No descerramento da Placa da Avenida Dr. Júlio Montalvão Machado, que desemboca na Rotunda da Liberdade, foi mencionado por João Batista a importância de homenagear um “ilustre flaviense, médico, político, historiador, figura incontornável da implementação do regime democrático em Portugal.”
Com palavras singelas, mas sentidas, a família do flaviense que faleceu recentemente agradeceu a homenagem pública “a um homem que muito merece”.
Oftalmologista de profissão, Montalvão Machado foi um dos fundadores da Ação Socialista Portuguesa e, depois, do Partido Socialista. Fez parte da Comissão Nacional e da Comissão Diretiva do PS, tendo exercido todas as funções partidárias em Vila Real.
Teve uma vida activa na política e perseguido pelo regime do Estado Novo, Júlio Montalvão Machado só viria a ser autorizado a exercer funções profissionais no Serviço Nacional de Saúde após o 25 de Abril de 1974.
Durante vários anos, Jo flaviense dedicou-se à investigação da História política portuguesa, em especial o pós-Invasões Francesas e o período da Implantação da República.
A história dos Defensores de Chaves (1912) e a vida de António Granjo, primeiro-ministro em 1920-1921 e seu familiar, serviram de base a muitas das suas publicações.
A obra inaugurada foi adjudicada à empresa Socorpena, pelo valor de 3.240.000,00€, iniciou em Fevereiro de 2010 e contou com financiamento comunitário de 70%.
Cátia Mata




















