No Luxemburgo, os estrangeiros são imprescindíveis à economia do país

Antero Fernandes Monteiro

No último meio século, o grão-ducado sentiu uma mudança radical da sua arquitetura do mercado de trabalho. Se os trabalhadores luxemburgueses representavam 79% da força de trabalho em 1961, hoje os autóctones representam menos de um terço.

Por ocasião do 50º aniversário, o Statec fez uma análise às últimas cinco décadas do mercado de trabalho luxemburguês. Assim, entre 1960 e 2010, o emprego total nacional passou de 132.700 unidades para 358.600. No mesmo período, o emprego de residentes passou de 128.700 trabalhadores para pouco menos de 220.000. Um crescimento inferior ao desemprego total (respetivamente 1,2% e 3,4%). O fenómeno é explicado pelo elevado número de postos de trabalho ocupados por trabalhadores fronteiriços. Atualmente são mais de 150.000 os ativos que diariamente atravessam a fronteira para virem trabalhar no Luxemburgo. Se bem que o fenómeno sempre existiu, em 1961, estes trabalhadores não ultrapassavam a 3.700 unidades e, em 1985, eram apenas 16.900.

São os franceses os que mais se interessam pelo mercado de trabalho nacional (49.000 trabalhadores). Os alemães e os belgas são em número inferior e encontram-se representados em partes iguais.

De acordo com o estudo do Statec, os estrangeiros são hoje uma parte imprescendível da economia do Grão-ducado. Se em 1960 os luxemburgueses representavam 79% da força de trabalho nacional, os residentes estrangeiros representam 18% e os fronteiriços apenas a diferença, a partir da década de 90 os luxemburgueses tornam-se gradualmente minoritários. Hoje, 27% dos trabalhadores são residentes estrangeiros, 44% vivem do outro lado da fronteira e 29% têm nacionalidade luxemburguesa. Esta alteração da arquitetura do mercado de trabalho deve-se, de acordo com o Statec, a um forte crescimento e domínio do setor terciário. Em 50 anos, o setor dos serviços mais que quadruplicou, para se estabelecer em 276.500 pessoas, ou seja, mais três quartos dos trabalhadores.

Em simultâneo, o emprego no setor da indústria passou de 33%, em 1970, a 10% em 2010.

Por seu lado, o setor da agricultura registou uma redução em metade do seu ativo.

O estudo elaborado pelo Statec é a prova de que o Luxemburgo funciona na base de uma arquitetura aberta e que coloca o acento em setores de alto valor, o que implica a procura de mão-de-obra qualificada no estrangeiro.

O serviço de estatísticas luxemburguês menciona ainda um possível desnível entre o ensino público do Luxemburgo e um mercado de trabalho privado altamente exigente.

O estudo não menciona, contudo, os residentes luxemburgueses que optaram por uma carreira no setor público.

Portanto, a boa saúde da economia nacional depende dos residentes estrangeiros e fronteiriços.

 

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