REABRIU A OFICINA
Regressou a azáfama ao Municipal Engenheiro Manuel Branco Teixeira com o início dos trabalhos da equipa de futebol, o qual fica marcado pelo elevado número de jogadores às ordens de Hélder Fontes e pela contratação do jogador espanhol Éder Diez Sanchez.
A aquisição mais recente é proveniente do Ourense, onde o agora ponta de lança flaviense foi o “pichichi”, contribuindo fortemente para a subida de divisão do clube galego. Os golos apontados são um bom cartão de visita, mas realço o facto de ser um produto de uma “cantera” de reconhecido valor: do Atlético de Bilbau, onde jogou ao lado de jogadores que hoje integram o plantel principal.
A aquisição deste espanhol marca um regresso ao passado do Desportivo de Chaves, numa época em que a aposta no mercado de Nuestros Hermanos foi efectuada de maneira permanente e com excelentes resultados. Seguiu-se um afastamento devido às condições financeiras e, agora, podemos estar a reabrir a porta daquele que foi um dos nossos grandes filões.
Ao longo dos tempos foi grande o contingente de jogadores contratados no país vizinho. Desde a classe de Dani Diaz, o pé canhão de Toniño, o futebol perfumado de Míner, a elegância de Raul, a raça de Roberto Matute, o talento de Seba, Carlos e Castilho, a inteligência de Raul Ochoa, o espírito guerreiro e instinto “assassino” de Arrieta. Estes são alguns dos jogadores de qualidade que envergaram o Jersey, azul-grená, mas havia outros que poderiam ser mencionados. Naturalmente que também houve apostas fracassadas mas o saldo é claramente positivo.
Os atletas espanhóis transportavam consigo a paixão pelo jogo, a habitual atitude altamente competitiva, identificando-se com a forma dos adeptos flavienses sentirem, verem e viverem o jogo, o que desde a primeira hora “caiu no goto” e granjeou muita simpatia.
Com mais esta aquisição, na minha perspectiva, ainda faltam três jogadores para incrementarem qualidade e ao mesmo tempo a luta interna por uma posição. Todos sabemos que os clubes não são realidades estanques… até porque pode surgir uma óptima oportunidade e que não deverá ser desperdiçada.
Como referi atrás, é elevado o número de jogadores que estão nesta fase inicial da temporada, eventualmente exagerado.
Em termos de estrutura, é verdade que a equipa não irá partir do zero, mas houve uma sangria significativa no núcleo duro da época transacta. Por exemplo: no quarteto defensivo apenas resta um elemento.
Para que não se repitam os erros da época anterior, deve ser feito um emagrecimento dos atletas para que o treinador possa trabalhar, com quem efectivamente conta, as suas ideias, os seus princípios, o seu modelo de jogo, de forma a este ser assimilado o mais breve possível pelos profissionais. No fundo criar automatismos, rotinas, dinâmicas de jogo, para a equipa estar minimamente preparada quando chegarem os jogos a doer.
Nesse contexto, o passado deve ser um exemplo a não repetir. A uma semana da 1.ª eliminatória da Taça de Portugal, aquilo a que vulgarmente se chama de equipa tipo, ainda não estava definida e ainda estavam a ser utilizados jogadores que todos sabíamos que não entravam nas contas do treinador.
Neste período, pré competição, há objectivos que devem ser atingidos. Desde logo, proporcionar à equipa bons níveis físicos, técnico, tácticos e psicológicos para que a mesma possa enfrentar as diferentes equipas que lhe vão surgir no campeonato em condições de se superiorizar.
É também nesta fase que se começa a fomentar o espírito de grupo, a transmitir os valores do que é ser um “jogador à Chaves”, ambientar os novos “recrutas” e iniciar-se a construir uma grande equipa, mesmo que individualmente não sejam os melhores.
2 – O Varzim, apesar de ter conquistado o título da 2.ª Divisão Nacional, não irá subir de divisão uma vez que desistiu, visto não ter conseguido reunir todos os requisitos necessários.
É uma situação, para quem gosta de futebol, que se lamenta, mas a realidade dos tempos. À Hora que escrevo também Leixões e Trofense correm sérios riscos.
Se tal vier a acontecer, há que lamentar a forma como os “Valentes Transmontanos” perderam a segunda posição na tabela classificativa.
3- Depois de ter sido cobiçado pelo Real Madrid, Diogo Brás, filho da antiga glória flaviense Diamantino, o “Leão da Torre”, irá representar o Sporting Clube de Portugal. Uma prova inequívoca que, apesar das péssimas condições de trabalho para os miúdos, há talento à solta em Trás-os-Montes.
Parabéns Diogo!



