Topo Norte – CONSTRUIR O EDIFÍCIO
Depois da apresentação da equipa técnica, o plantel do Grupo Desportivo de Chaves vai ganhando corpo para a próxima temporada.
Daquilo que se vai sabendo, dentre os jogadores dispensados a maior surpresa vai para o lateral direito Danilo, um jogador que foi titular indiscutível, dos mais regulares do plantel e que juntamente com o varzinista Tiago Lopes foi considerado um dos melhores laterais direitos, daí a surpresa da sua dispensa. Um jogador que deixava tudo em campo e que era um dos jogadores que melhor exemplificava a mística flaviense, pois possuía garra, determinação, coragem e qualidade.
Sabendo-se que não existem insubstituíveis, penso que a sua qualidade e experiência ainda faziam falta ao plantel dos flavienses. Enfim, as pessoas entenderam que o seu ciclo tinha chegado ao fim, ele que poderá estar a caminho da Liga Orangina.
Menos controversas são as saídas de Eduardo, Varela e Raviola, enquanto o avançado Chico chegou a um entendimento para rescisão de contrato. Expectável e consensual é a saída de Oseias.
Eduardo representou o clube durante três temporadas, sendo que na finda perdeu espaço para Milhazes, mas foi sempre um profissional dedicado. Varela e Raviola eram saídas mais ou menos previsíveis, fruto de uma temporada onde não conseguiram expressar todo o seu potencial, situação que também ocorreu com Chico e que, apesar de ter mais um ano de vínculo, as partes entenderam cessar o mesmo.
Oficialmente estas são as saídas confirmadas embora outros nomes também estejam a ser ventilados. Se uns vão partir, outros certamente chegam.
No sítio oficial do clube, local onde devem ser privilegiadas as notícias de toda a actividade do mesmo, apareceram os nomes dos primeiros jogadores contratados (prefiro esta terminologia ao vulgarmente conhecido reforços, situação que só com o andar do campeonato confirmaremos se de facto são “reforços”ou não).
Em todos os sectores houve mudanças. Para a defesa chegaram Jonas, Ramalho, Rui Raínho e Celso. Jonas, formado nas escolas do clube, 2 anos como júnior, vem para colmatar a saída de Danilo. O seu registo na temporada transacta não é famoso (uma utilização quase residual), mas veremos como se irá comportar ao longo da competição. Ramalho, também do Mirandela, e Celso do Aliados de Lordelo chegam para o eixo da defensiva, lugar onde deverá continuar Vítor Pereira. São dois jogadores que mantiveram uma participação elevada nas respectivas equipas, sendo que Celso contabilizou todos os minutos de jogo (2700 minutos).
Rui Raínho, lateral esquerdo, é um jogador produto da formação do Boavista com diversas chamadas aos trabalhos das selecções nas camadas jovens e que, posso assegurar, tem qualidade. Também aqui estamos na presença de um jogador com alta participação (2687 minutos) numa equipa que lutou até à derradeira jornada pela subida de divisão. Obviamente que será inevitável a comparação com Milhazes, mas são jogadores de características diferentes.
Quem também vai viajar da Costa Verde até Trás-os-Montes é o ponta-de-lança Ricardo Teixeira, um jogador com uma estampa física respeitável (1,88m e 85 Kg). Foi o quarto melhor marcador da sua zona com 15 golos, atrás de jogadores que têm bilhete carimbado para a Liga Zon Sagres (Bruninho – 24 golos vai para o Setúbal, Rafael 20 golos – Beira- Mar e Jorginho Sousa, 19 golos – Setúbal).
Esperamos que ultrapasse o registo de golos, mas não seria nada mau que mantivesse os mesmos números.
Mário Mendonça e Filipe Andrade são dois jovens vindos da 3.ª divisão nacional. O primeiro, vem do Esposende, é descrito por quem o conhece bem como um jogador muito buliçoso que tem um pé esquerdo de excelente qualidade. Filipe Andrade é um jogador com margem de progressão e que vem do Santiago do Açores, sendo que o seu treinador, o flaviense Luís Pires, deu as melhores referências do seu ex-pupilo. Naturalmente que estes dois jovens estão num processo de aprendizagem e crescimento e será importante que não queimem etapas e que o mesmo seja feito de forma sustentável.
Deixo propositadamente para o fim o nome de Bruno Magalhães, aquele que é apontado até ao momento como a grande contratação. Um jogador que dispensa qualquer tipo de apresentação. À “formiguinha” basta-lhe ser igual a si próprio. Um jogador que se identifica muitíssimo bem com o “jogar à Chaves”.
Se exceptuarmos o caso do “pequeno grande Bruno Magalhães”, todos os reforços são de excelente compleição física, pelo que me parece que tem havido uma preocupação de formar uma equipa robusta, o que num campeonato onde o contacto físico impera pode ser importante, embora não seja determinante.
As vitórias constroem-se com trabalho, competência e qualidade. É isso que todos esperamos, até porque apesar de Bruno Carvalho, presidente da Comissão Administrativa, não ter assumido abertamente a luta pela promoção, penso que será esse o objectivo que os move. Aliás, penso mesmo que não poderá ser de outra forma, pelo historial e grandeza do clube. Vejo a sua afirmação como um posicionamento estratégico.
É verdade que quer o nome do treinador, quer os dos reforços conhecidos não são entusiasmantes, que não alimentam uma onda de euforia como no passado e que como consequência haja naturais reservas, mas só a competição ditará se foram boas ou más decisões. Contudo, parece-me importante que seja construída uma onda positivista, uma relação de confiança dos adeptos com a equipa. Nesse contexto aguardemos as próximas contratações.
2- Escrevo momentos antes de se iniciar a meia-final do Campeonato da Europa entre Espanha e Portugal. O duelo Ibérico que poderia ser perfeitamente o jogo da final.
Para atingir o objectivo de estar presente em Kiev a Selecção Nacional não vai ter tarefa nada fácil. Basta recordar que os comandados de Vicente Del Bosque são só os campeões europeus e mundiais em título. Um excelente cartão de visita, de uma selecção que tem o seu grande suporte no modelo de jogo do Barcelona.
Mas será possível Portugal derrotar a Espanha? Naturalmente que sim, mas para tal a equipa de Paulo Bento terá que roçar a perfeição. Terá que ser uma equipa com níveis de concentração elevados, que pressione os espanhóis e que lhes limite a posse de bola, sabendo-se que isso será muito complicado e que não tenha medo de assumir o jogo.
Não tenho a menor dúvida que se a equipa mantiver o nível exibido nos últimos dois jogos e contar com o melhor Cristiano Ronaldo é possível.
Acredito que domingo, Portugal estará no jogo decisivo.
Força Portugal



