Crónicas da Guidinha

Uma das coisas que mais me faz levantar a tampa é quando estou para pegar a dormir e alguém me faz regressar a este mundo cão. Não sei, é algo que me transtorna os neurónios, ao ponto de andar rabugenta uma semana inteirinha. Foi o que aconteceu com a crónica da semana passada. Tudo pronto e lá se foi a pen onde estava a irrazoável crónica. Agora, passados oito dias, e com o ritmo cardíaco mais lento, posso dizer-vos que foi melhor assim. Olhem que aquilo nem tinha por onde se lhe pegasse, e se tivesse apenas seria do interesse de algum racional mais desatento ou de algum inculto que ainda perde tempo a ler a porcaria que escrevo. Sempre ouvi dizer que há males que vêm por bem, e a minha ausência da semana passada é bem o reflexo do que acabo de vos dizer. Portanto, nada perdestes com o que se perdeu.

O fala, fala, do momento é a nossa selecção de futebol. Os apaixonados pela redondinha andam eufóricos com a vitória sobre os checos e já fazem prognósticos para a final. Pela parte que me toca, confesso que também estou convencida que mandaremos os espanhóis mais cedo para casa com um ou dois perus no saco. E para me redimir de algumas alarvidades que tenho dito a respeito da nossa Selecção, posso dizer-vos que estou muito orgulhosa daquele grupo de ricos, que pouco mais sabem fazer que dar pontapés numa coisa indefesa. Por esse facto é que acho que o futebol é um acto cobarde e, porque não dizê-lo, um desporto cruel. De qualquer das formas, e para não quebrar a corrente, vou já acender uma velinha a S. Paulo Bento e outra a S. Ronaldo e seus comparsas, para que não se esqueçam que representar o nosso país é muito mais importante e valoroso que todos os prémios monetários de que estão à espera. Para que tudo corra bem, vamos torcer as pernas e os braços. Eu já estou toda torcidinha.

Rebentou mais uma bomba! Uma mega fraude no Serviço Nacional de Saúde que pode chegar aos 100 milhões de euros, segundo o ministro Paulo Macedo, onde estão envolvidos médicos, farmácias e delegados de propaganda médica. Na primeira rusga, a Polícia Judiciária amarrou dez suspeitos e o rol parece não ficar por aqui. O aparato foi grande, a mediatização não se ficou a trás, e agora espero que a justiça se encarregue de pôr a cereja no topo do bolo. Se é que ainda há justiça. E mais não digo, por agora.

Para terminar, não posso deixar passar em branco um acto de bravura digno de se lhe tirar o chapéu. Na Voz de Chaves da semana passada li com alguma atenção um artigo de opinião sobre o Hospital de Chaves, da autoria do senhor José Pimentel Sarmento. Conheço mal o senhor, apenas sei que é um conceituado taxista da nossa praça. E, pelos vistos, militante do PPD/PSD desde a sua fundação. Ora muito bem, não vou debruçar-me nem aborrecer-vos com o conteúdo do referido artigo, apenas quero tirar o chapéu a esse senhor pela coragem que teve ao denunciar a passividade com que as forças vivas da cidade têm tratado o assunto, e ainda mais pela afronta ao seu próprio partido e ao Presidenta da Câmara de Chaves em exercício. Já se vê muito pouco disto. Chaves precisa de homens assim, com coragem e força para enfrentar quem nos é adverso, e de chamar os bois pelo nome. “Cada vez que há reformas, esta região é sempre penalizada”, afirma a dada altura. Eu vou mais além: Esta região vai continuar a ser penalizada! Pelo menos enquanto não tivermos alguém com coragem para dizer: BASTA!!!! Está de parabéns, senhor Pimentel. As gentes de Chaves agradecer-lhe-ão este seu acto. Eu agradeço-lhe já.

Até à semana que vem. Beijos para todos. E também para os que estão mortos para me verem pelas costas.

 

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