TopoNorte – CORAR DE VERGONHA

 

Sebastião Imaginário

“Sinto-me envergonhado”. Foi desta forma que o capitão João Fernandes resumiu o seu estado de espírito após a inacreditável derrota caseira com o Vizela que teve como consequência a perda do segundo lugar na tabela classificativa, terminando os flavienses a temporada da pior maneira.

O mínimo que se pedia ao grupo de trabalho era preservar a segunda posição. Infelizmente, depois de perder a possibilidade de discutir o Play-off de promoção, a equipa desperdiçou a manutenção do 2.º posto da tabela e contribuiu para a delapidação de algum do capital de confiança que tinha junto dos adeptos.

Tendo em conta o que estava em jogo, este era mais importante para os homens de Quim Berto que necessitavam de conquistar os três para poderem garantir a manutenção. E, mesmo assim, ainda estavam dependentes de uma conjuntura de resultados favoráveis.

Os “Valentes Transmontanos” realizaram uma das suas piores partidas. Lentos, sem chamada, sem agressividade, displicentes, desconcentrados, sendo que nalguns momentos deram a sensação de haver uma certa anarquia. Quem defende as cores do Desportivo de Chaves não pode ter este comportamento. Há que ser sempre profissional e lutar ao máximo, sabendo-se de antemão que as coisas nem sempre correm bem. Contudo, a atitude tem que estar sempre presente.

Para mim uma equipa de futebol deve ser: organizada, competente e ambiciosa. Aos flavienses faltou organização, não foram competente e quanto à ambição, diria…que não foram minimamente inteligentes.

Os transmontanos adiantaram-se no marcador através de um grande golo de Castanheira que respondeu da melhor maneira a um excelente passe de Kuca. O Chaves a precisar somente de um ponto para manter a segunda posição, estava no bom caminho. Mas no espaço de cinco minutos os vizelenses operaram a primeira reviravolta no marcador. Nani converteu uma grande penalidade a castigar uma falta desnecessária de Josué e pouco depois o mesmo Nani aproveitou a auto-estrada que lhe foi aberta para proporcionar uma boa defesa a Paulo Ribeiro e na recarga Nuno Valente rematou para o fundo das redes.

Este resultado não servia as intenções dos locais, pelo que seria necessário inverter o rumo dos acontecimentos. Mesmo sem jogar bem a equipa alcançaria o golo num lance que teve a assinatura daqueles que considero terem sido os menos maus dos transmontanos: cruzamento de Tijane e desvio de Kuca para o fundo das redes.

Agora, eram os comandados de Quim Berto que estavam numa situação muito, muito delicada. O jovem treinador colocou toda a carne no assador, dando claras indicações para a equipa passar a praticar um futebol directo.

Se para os flavienses em termos exibicionais as coisas não estavam a correr bem, pior ficaram quando João Fernandes teve que sair por lesão. Ora, em vez de manter um certo equilíbrio da equipa com a entrada de Heslley e com a subida no terreno de Josué, a opção recaiu na entrada de Soulemany, partindo a equipa e desfazendo a estabilidade que era necessário manter. A equipa ficou partida em dois blocos

Mas o golpe de teatro estava reservado para os instantes finais do encontro. O árbitro decidiu dar 5 minutos de compensação, ao terceiro desses minutos Tijane deu vantagem aos flavienses com um bom golo. Mas para espanto geral, o Vizela ainda iria operar nova reviravolta no marcador com golos de Julian e de Nani, novamente de grande penalidade, a castigar uma mão desnecessária de Josúe (que jogo horrível do jovem central). Estava concretizado o golpe de teatro: os flavienses perdiam em casa pela primeira vez na temporada. Pela primeira vez sofriam quatro golos e deixavam fugir o segundo lugar. Os minhotos festejavam a manutenção.

Os associados, não mereciam essa desfeita, esse desgosto. Se não tivesse acompanhado a equipa ao longo da temporada, pelo que fizeram neste jogo, poucos seriam aqueles que teriam bilhete no autocarro de ida e volta.

2- Tive o privilégio de ver jogar jogadores com a categoria de Radi (no Top 5 dos melhores estrangeiros que passaram por Portugal), Slavkov (quantos clubes se podem dar ao luxo de ter tido um Bota de Ouro nas suas fileiras?), Diamantino, Gilberto, Carlos Padrão, Ferreira da Costa, Rogério Pimenta, David e tantos, tantos outros.

Tive o privilégio de ver o Desportivo de Chaves a espalhar qualidade pelos campos do nossos país e dignificar a nação quando participou na Taça UEFA. O futebol da equipa de Raul Águas encantava!

Transportando a equipa desses tempos para a actualidade atrevo-me a dizer que o Desportivo de Chaves lutaria pelos lugares cimeiros da classificação. Poderíamos perfeitamente ser o Braga dos dias de hoje.

Dia 1 de Maio foi um regresso ao passado. Um reencontro com os ídolos de infância. Um reencontro com aqueles que tão brilhantemente defenderam as nossas cores. Um reencontro com aqueles que nos faziam sonhar. Um reencontro com a história do nosso clube.

A emoção era patente no rosto dos jogadores. Afinal, nunca foi conversa da treta: Chaves é diferente, Chaves marca.

A tertúlia dos 40 abrilhantou a festa. Mas penso que o melhor momento foi quando Ferreira da Costa adaptou a musica “Sodade” de Cesária Évora com rimas de Trás-os- montes e de Chaves.

Por poder recordar esses tempos mágicos, valeu a pena. Ficaram a perder aqueles que não se quiseram ou não puderam associar ao evento.

Esta de parabéns a Comissão Administrativa que teve a feliz ideia, que foi indubitavelmente uma demonstração da vitalidade do clube.

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