Mais de 100 intervenientes debatem papel do teatro na sociedade em tempos de crise
Mais do que um simples divertimento, o teatro pode realmente ajudar as pessoas a superar medos e inibições para viver melhor em sociedade. Foi esta convicção que juntou cerca de 120 intervenientes no I Congresso Internacional de Teatro e Intervenção Social, que decorreu nos dias 17 e 18 de Fevereiro no auditório da Escola Superior de Enfermagem/UTAD – Pólo de Chaves.
“O teatro pode ser feito por todos, inclusive pelos actores”. Esta máxima vem provar que o teatro não é só espectáculo. É também educação, interacção comunitária e uma necessidade humana de comunicar que pode ser praticada em qualquer lugar. Esta foi a motivação principal do I Congresso Internacional de Teatro e Intervenção Social, que no passado fim-de-semana juntou no auditório da Escola Superior de Enfermagem/UTAD – Pólo de Chaves cerca de 120 participantes, entre académicos de diversas universidade portuguesas e espanholas, professores, técnicos, animadores, educadores e gentes ligadas ao teatro, vindos de vários pontos do país.
Organizado pela Associação para a Promoção e Divulgação Cultural “Intervenção”, sediada em Chaves, “este congresso surgiu numa tentativa de ligar a importância do teatro à intervenção social, educativa, terapêutica e comunitária”, explicou o presidente, Marcelino de Sousa Lopes. No final, ficou a conclusão que “num tempo de crise é importante que o Estado olhe para a importância do teatro para contribuir para gerar laços afectivos, de partilha, de interacção, de solidariedade e de compromisso”, avançou o docente da UTAD, acrescentando que “o Estado não pode só olhar para os números, tem que olhar para as pessoas, para a sua cultura e para a intervenção sociocultural que se faz neste país”.
Na perspectiva de Marcelino de Sousa Lopes, foram “dois dias muito intensos e ricos em termos de participação e reflexão”, em que o ponto alto foi a apresentação de projectos de intervenção no campo social, nomeadamente a apresentação da peça “Somos” pelo Grupo de Teatro da APPACDM do Porto “Raios e Curiscos”, composto por jovens portadores de deficiência, e o monólogo “Palabras de Sal” da actriz galega Mela Casal, que apresentou várias histórias sobre temas como o racismo e violência doméstica para suscitar o debate com o público. “Foram espectáculos que geraram interacção entre quem fazia e quem via”, concluiu Marcelino de Sousa Lopes.
“O Intervenção é para intervir” e promover o debate
Sendo o teatro essencial para “assumir-se como ser participante e ser de relação”, a associação tem promovido vários encontros por todo o país e na Galiza. Em Chaves, já promoveu dois debates relacionados com animação sociocultural, necessidades especiais e terceira idade, além de já ter oito livros editados, incluindo a obra “Teatro e Intervenção Social”, que reúne as intervenções feitas no passado fim-de-semana.
Criado em 2005, “o Intervenção é o reflexo de algumas inquietações de um conjunto de pessoas que querem reflectir e trazer para a praça pública temas que se prendam com a intervenção sociocultural e cidadania. No fundo, o Intervenção é para intervir”, esclareceu Marcelino de Sousa Lopes, que dirige o curso de animação sociocultural do pólo de Chaves da UTAD e o mestrado Ciências da Educação – Especialização em Animação Sociocultural.
Actualmente, o Intervenção é composto por cerca de 20 associados a nível nacional, entre professores, actores, animadores socioculturais e “pessoas que querem partilhar e reflectir”, com fortes ligações a entidades internacionais como a Rede Ibero-americana de Animação Sociocultural, a Sociedade Ibero-americana de Pedagogia Social e a Escola Superior de Arte Dramática da Galiza. O próximo congresso irá debater o tema “Animação Sociocultural e Intervenção Comunitária” e terá lugar em Ponte de Lima.
Sandra Pereira


