Vindima cumpriu tradição e promete mais “Mortos de Boticas”

Qui,29 Set 2011


Com um “barrete” do Vinho dos Mortos na cabeça, cerca de 50 pessoas voltaram a vindimar em Boticas no passado sábado. Como sempre, foi um dia de camaradagem e recordações de outros tempos, a provar que há tradições que nunca se perdem. Este ano, o produtor Armindo Sousa Pereira acredita que o Verão menos quente do que o habitual não vai afectar o grau do “Mortos de Boticas” – um vinho que está a ficar cada vez mais internacional graças ao poder da internet – e garante que haverá mais garrafas do que no ano passado.

Estava tudo convocado para dia 1 de Outubro: as concertinas da Venda Nova e dezenas de amigos. “Previram chuva a partir do meio da semana e para não correr o risco de estragar as uvas, a vindima foi antecipada” para o passado sábado 24 de Setembro, explicou Armindo Sousa Pereira, único produtor que comercializa o Vinho dos Mortos de Boticas. Mesmo com menos gente do que no ano anterior, entre as vinhas, o almoço e o lagar, cerca de 50 pessoas, a maioria da Granja e da vila, responderam à chamada de uma amizade de gerações e o “emblema da terra de Boticas” está de novo garantido.

“Todos os anos é muita gente, o patrão é bom e gostámos de vindimar!”, ria-se Maria de Fátima Pereira, a vindimar com o boné do Vinho dos Mortos na cabeça, o “brinde” que a família Sousa Pereira ofereceu este ano. Como manda a tradição, a lavoura começou cedo, às 7h30, na Poça da Cruz, à saída de Boticas. Por volta das 9h15, chegou a “bucha” no meio da vinha, com pataniscas de bacalhau, pão, panados, rissóis, bolos e, claro, regada com vinho. Ao longe, um tractor já carregado de caixas de uvas. Ao lado, conversas exaltadas sobre o clássico Benfica-Porto da véspera. A trincar uma “isca”, estava Salvador Gomes, responsável há mais de 30 anos pela plantação, escava, poda, enxertia, desfolhada e vindima do “Mortos de Boticas”. O segredo de uma “boa pinga”, garante, é “ter boa qualidade das vides. A terra também faz diferença. Se for da preta, o vinho já não é tão bom”.

Armindo Sousa Pereira

“A colheita está boa! Vai haver um pouco mais vinho do que na de 2010”, assegurou Armindo Sousa Pereira. Mais de metade das suas videiras têm mais de 90 anos – ou são mesmo centenárias – e este ano as vinhas da Separra deram mais uva do que o habitual: 47 caixas contra 23 no ano passado. Para aumentar a produção, Armindo Sousa Pereira começou a cultivar esta vinha há cinco anos. Antes, “o terreno não estava bem isolado, não era bem trabalhado. A plantação tinha muitas falhas, mas já está a ficar toda renovada”, explicou Salvador Gomes. Ainda assim, com um Verão menos quente do que o habitual, a qualidade poderá ser afectada, mas só depois das análises feitas é que se poderá certificar o paladar e grau do néctar. Armindo Sousa Pereira acredita que deverá ser entre 11,5 e 12, tal como em anos anteriores. Para o produtor botiquense, o segredo de um bom vinho é “andar sempre nas vinhas e dar as caldas na altura própria”. Contudo, já se sabe, só quando enterrado e fermentado no escuro é que ganha as características próprias…

Depois de comida a feijoada, os homens mais velhos foram os primeiros a saltar para o lagar. “Durante o pisar das uvas, sempre foi tradição na minha casa, já no tempo da minha mãe, ter sempre um prato de aletria quente para comer no lagar!”, notou Armindo Sousa Pereira. O dia da vindima “é sempre uma alegria. O pessoal diverte-se a valer”, concluiu.

O primeiro comprador do Vinho dos Mortos foi a Garrafeira Nacional de Lisboa, mas a colheita de 2010 já foi vendida a revendedores e apreciadores italianos, franceses e alemãs. Há ainda uma loja em Moçambique que vende o “Mortos de Boticas” e já decorrem negociações com interessados no Brasil. “O Vinho dos Mortos está a ficar cada vez mais internacional por causa da loja online. Tem vindo mais gente do estrangeiro à adega”, notou Nuno Sousa Pereira, um dos filhos do produtor botiquense, que actualiza o site da marca com presença regular nas redes sociais, como o popular Facebook. A 27 ou 28 de Dezembro, o Vinho dos Mortos é estrafegado e, retirada a borra, segue para a certificação. Lá para Março, voltará a ser engarrafado por uma empresa de Lousada com maquinaria própria. Algumas reservas para a colheita de 2011 já estão feitas.

Sandra Pereira

 

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