A Voz de Chaves: Ainda não perdeu o jeito de fazer plantéis para ser campeão da Divisão de Honra…
Carlos Guerra: Este plantel deixou muitas dúvidas a muita gente, devido à falta de experiência, pois são miúdos, mas já há três anos que vinham a trabalhar connosco, e outros há mais tempo da altura do protocolo de equipa satélite com o Pedras Salgadas. Sabia o potencial destes miúdos, e acreditámos que realmente podíamos conseguir e este projeto podia ir para a frente com estes jovens. Não defraudaram e foi a equipa sénior que mais golos marcou.

Este campeonato não foi assim tanto de distrital?
O campeonato da AFVR tem evoluído muito ao longo dos tempos. Os jogadores e os treinadores têm evoluído bastante, já se trabalha com mais profissionalismo, há mais exigência por parte dos treinadores e os clubes têm mais condições. Os campos sintéticos vieram trazer outra qualidade. Este ano foi o campeonato mais competitivo, pois apareceram mais duas equipas, para além do Chaves, com muita qualidade, pois o Régua e o Vila Real tinha planteis fortes e com objetivo de subir. A diferença, tal como tinha avisado, era que quem perdesse mais do que cinco ou seis pontos não podia ser campeão, bem como quem perdesse pontos com equipas que não fossem candidatas. Nós apenas perdemos pontos com o Régua e Vila Real e mesmo com estes adversários igualámos os resultados.

Que equipa é esta que formou para ser campeã?
A procura do jogador assentou muito na qualidade do atleta, mas a nossa cultura assenta muita na vitória. É fundamental trabalhar na vitória e é mais fácil. É uma cultura que se vai introduzindo aos poucos na mentalidade dos atletas. Conseguimos faze-lo e muito bem, os atletas sabem bem a forma como trabalhamos, a ambição, o rigor, a disciplina, e os jogos e as vitórias assentam muito nisso. Ouve-se que alguns treinadores ensinam os seus atletas a perderem… eu não consigo olhar para esse tipo de filosofia. Nunca vou saber perder, com toda a honestidade. É uma palavra que nunca me encaixou, não sei lidar com a derrota e não quero que os meus jogadores saibam. Quero que os meus jogadores aprendam e saibam ganhar, que saibam respeitar os adversários e que nunca se cansem de ganhar.

Foram dados passos certos para o futuro destes jovens?
Penso que sim. A administração também tem feito um esforço para melhorar as condições e vão haver a partir da próxima época novos campos para trabalhar. Durante estes três anos trabalhámos num espaço limitado, mas penso que se fez um bom trabalho. Este ano tinha sempre na equipa seis ou sete jogadores que vinham dos juniores. Pode-se dizer que este campeonato não era competitivo o suficiente para a evolução, e claro que não, mas por vezes é preciso dar um passo atrás para depois dar dois à frente. Para o ano a competitividade vai ser muito maior, a administração está a fazer um bom trabalho na área do ‘scouting’ e a equipa será sempre muito forte.

Como é conquistar um título no GD Chaves?
Felizmente a minha carreira sempre teve sucesso, e conseguimos várias permanências no nacional, como no Montalegre, várias subidas, como no Vilar Perdizes, no GD Valpaços, no Pedras Salgadas. Depois surgiu a oportunidade de trabalhar no GD Chaves, que é o clube da minha terra e o clube do meu coração. Na subida dos juniores à 1ª Divisão estivemos perto do título, mas este surgiu agora. Estive um pouco renitente em regressar mas estou muito satisfeito, pelo trabalho que tenho feito. Tenho tido o apoio das pessoas que têm de me apoiar e sempre que preciso estão presentes. O sucesso deve-se não só ao trabalho dos jogadores e equipa técnica, mas também de toda a estrutura que está á nossa volta. Temos sido extremamente organizados, competentes e profissionais, e a estrutura tem uma importância enorme, ao contrário do que se pensa. Quando se tem o objetivo de subir e se consegue é sinal que o trabalho foi bem feito. Toda a gente que está envolvida neste projeto está de parabéns.

DC

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